quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Vou-me embora pra Curitiba


Vou-me embora pra Curitiba
Lá sou amigo do rei
Lá tenho o homem que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Curitiba
Vou-me embora pra Curitiba
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Do genro que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a minha tia
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menina
A minha mãe vinha me contar
Vou-me embora pra Curitiba

Em Curitiba tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem lugares bonitos
Para a gente passear

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei o homem que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Curitiba.

{(Sátira) alterado do Poema "Vou-me embora pra Pasárgada" de Manuel Bandeira}

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